segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Vídeo da viagem a Goiana/PE

Pessoal,

Fizemos um vídeo com as breves imagens que conseguimos gravar durante a viagem. Dá o play!




Filmagem: Rosiane Albuquerque
Direção de filmagem: Thiago de Andrade

sábado, 14 de fevereiro de 2015

Como funciona? #2 – Motores dois-tempos

     Conforme prometido, aí vai o segundo post da série “Como funciona?”. Dessa vez abordaremos a engenharia por trás dos assim chamados motores dois-tempos. Os motores quatro-tempos foram apresentados nesse post. Se você não leu, sugiro que o faça. Vamos ao que interessa?
     Os motores dois-tempos são, na minha opinião, a mais bela expressão da engenharia de motores de combustão interna. O motivo? A simplicidade e engenhosidade de seu design. Por razões que já foram comentadas no post anterior (e que vamos detalhar aqui), os motores dois-tempos são vistos quase exclusivamente em aplicações fora-de-estrada (motos de competição off Road), náutica (Jet skis) e máquinas como motosserras e similares. O que esses veículos e equipamentos têm em comum? A necessidade de um motor leve, simples e, principalmente, muito potente.
     Mas, o que é, afinal, um motor dois-tempos? Você deve se lembrar que, num motor quatro-tempos, quatro operações são concluídas no decurso de duas voltas do motor: admissão, compressão, combustão e exaustão. Essas etapas são muito bem delimitadas pela posição do pistão e o estado de abertura ou fechamento das válvulas. O motor dois-tempos, por sua vez, executa essas quatro operações em apenas uma volta do motor; isto é, as fases de admissão e compressão são executadas ao mesmo tempo, dando-se o mesmo com as fases de combustão e exaustão. De fato, num motor dois-tempos, a transição entre as fases não é bem delimitada, havendo momentos de coincidência entre, por exemplo, admissão e exaustão.

A construção de um motor dois-tempos

     Se num motor quatro-tempos uma das principais características é a grande quantidade de peças móveis (válvulas, balancins, varetas, eixos de comando etc.), o que caracteriza a maioria dos motores dois-tempos é o inverso: são mínimos os elementos móveis. Basicamente, as partes móveis de um motor dois-tempos são o conjunto pistão-biela e o virabrequim. As válvulas são substituídas por janelas no cilindro que se abrem ou fecham de acordo com o movimento ascendente ou descendente do pistão. Dependendo do projeto, pode haver uma válvula de exaustão no topo da câmara de combustão.
A admissão da mistura ar-combustível se dá no cárter, que é seco. O sistema de lubrificação se dá por meio da mistura do lubrificante ao combustível, fazendo com que o lubrificante se deposite sobre as partes móveis do sistema durante o processo de combustão. Por isso é comum adicionar certa quantidade de óleo lubrificante específico para motores dois-tempos ao combustível, exceto nas situações em que á um sistema alternativo de fornecimento de lubrificante, como nas motos Yamaha RD 350 (uma maravilha!). A comunicação entre o carburador e o cárter é mediada por uma válvula de abertura unidirecional, conhecida como válvula de palhetas. Esta válvula, similar às válvulas do coração, possui um sistema de palhetas que permitem o fluxo numa única direção, sendo acionada pela própria pressão do fluido. Ademais, o sistema de exaustão, especialmente o formato do cano de escapamento, exerce uma função crítica para o funcionamento do sistema, como veremos mais adiante.

A teoria de funcionamento do motor dois-tempos

     Iniciemos a explicação sobre o funcionamento considerando que o pistão encontra-se em movimento ascendente em direção ao ponto morto superior (PMS). Nesse momento, a câmara de combustão encontra-se preenchida com a mistura ar-combustível que está prestes a ser comprimida. Ao mesmo tempo em que o pistão sobe e comprime a mistura, cria-se uma pressão negativa no cárter, em função do aumento repentino de seu volume. Esta pressão negativa força a abertura da válvula de palhetas e a consequente admissão de uma nova dose de mistura ar-combustível. Perceba que, num único movimento do pistão, o motor executa duas fases: a compressão da mistura “antiga” e a admissão de uma mistura “nova”. Após a compressão é gerada a faísca, que inflama a mistura comprimida, forçando o pistão para baixo. O movimento descendente do pistão faz com que se abram, gradativamente, as janelas, que servem como válvulas. A primeira a ser aberta é a janela de exaustão, que começa a permitir a saída dos gases provenientes da combustão. No momento em que a janela de exaustão encontra-se semiaberta, o pistão, ao descer, começa a abrir outra(s) janela(s), conhecida(s) como janela(s) de transferência. As janelas de transferência permitem a comunicação do cárter com a câmara de combustão, fazendo subir a mistura admitida durante a fase de subida do pistão. O movimento de descida aumenta a pressão no cárter, forçando a mistura a subir, passar pelas janelas de transferência e alojar-se na câmara de combustão.
     Nesta fase, em que as janelas de exaustão e de transferência (geralmente situadas em posições opostas) encontram-se abertas, ocorre um dos fenômenos mais interessantes vistos nos motores dois-tempos. Conforme mencionado acima, nesse momento há, ao mesmo tempo, exaustão dos gases e admissão de mistura, visto que ambas as janelas (de exaustão e transferência) encontram-se abertas. A “mágica” ocorre quando o fluxo da mistura é engenhosamente direcionado de modo a “empurrar” os gases provenientes da combustão, num movimento de “varrição”. Após atingir o ponto morto inferior (PMI), o pistão volta a subir e o processo se repete. Note-se que, ao subir, o pistão fecha as janelas de exaustão e transferência, possibilitando a compressão da mistura admitida na câmara.
     Deve-se notar que, para que o processo de varrição seja eficiente, é necessário que os gases provenientes da combustão sejam completamente expulsos da câmara de combustão. De fato, o que acontece é que parte da mistura admitida para a câmara de combustão via janelas de transferência sai pela janela de exaustão junto com os gases. É nesse momento que entra em cena o sistema de escapamento. A imagem abaixo mostra o cano de escapamento de um motor dois-tempos. Note o seu formato peculiar; o diâmetro vai-se alargando até o ponto em que começa a diminuir. De fato, esse sistema funciona como um instrumento musical. Em termos simplistas, esse formato do escapamento cria um efeito de ressonância, especificamente uma onda de choque, que devolve parte da energia para o motor. Essa onda de choque, milimetricamente calculada, “devolve” à câmara de combustão a parte de mistura ar-combustível que foi expelida pela janela de exaustão, momentos antes que o pistão a feche.

Escapamento de um motor dois-tempos


Por que não vemos motores dois-tempos nos carros e motos de rua?

     Os motores dois-tempos, por serem mais leves e terem menos partes móveis (portanto menos dor-de-cabeça com a manutenção), além de executarem trabalho a cada volta do virabrequim (versus duas voltas nos motores quatro-tempos), apresentam uma potência elevada quando comparados a motores quatro-tempos de mesmo porte. Poderíamos dizer, num primeiro momento, que um motor dois-tempos teria o dobro da potência de um equivalente quatro-tempos; mas isso não é necessariamente verdadeiro. De fato, os Motors dois-tempos têm como principais inconvenientes a baixa eficiência térmica e o consequente excesso de consumo e emissão de poluentes, visto que o processo de combustão é pouco eficiente. Por esse motivo, torna-se inviável por razões ambientais e econômicas o emprego de motores dois-tempos em automóveis e motos de rua. Já nos casos em que as emissões e o consumo são menos importantes do que o desempenho (p. ex., corridas de Motocross) os motores dois-tempos reinam quase absolutos.

   Abaixo, um vídeo ilustrando o funcionamento de um motor dois-tempos:




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sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Goaina/PE - Parte 2: o litoral

E vamos à segunda parte da viagem! Infelizmente durante a viagem nossa câmera descarregou e ainda não temos bateria reserva, logo ficaremos devendo mais fotos do litoral goianense. Promessa difícil de cumprir, visse! Não demora...
O litoral goianense possui seis praias: Carne de Vaca, Tabatinga, Pontas de Pedra, Catuama, Barra de Catuama e Atapuz, das quais quatro foram visitadas por nós: Carne de Vaca, Pontas de Pedra, Catuama e Barra de Catuama. 
O acesso às praias (PE-049) fica depois da entrada da cidade de Goiana, sentido João Pessoa - Recife, à esquerda após a fábrica da Fiat. O acesso também dá para Tejucupapo, distrito de Goiana.

1. Carne de Vaca: é a primeira das praia do litoral norte de pernambuco. A caminho dela podemos visualizar o litoral de Pitimbu, cidade paraibana situada no extremo do litoral sul da Paraíba. É uma praia calma, muito bonita e com vários bancos de areia. A areia é tão branquinha que de longe a borda de encontro ao mar fica meio fluorescente/translúcida. É comum ver pelo caminho casas com fachadas decoradas, de cima a baixo, com conchas, elas são um charme! Infelizmente a câmera só permitiu um registro seu.

Bancos de areia formados pela maré baixa no pontal de Carne de Vaca. Ao fundo pode-se ver o extremo litoral sul da Paraíba

2. Pontas de Pedra: é também um distrito de Goiana. É a mais popular entre as praias goianenses. Possui piscinas naturais límpidas e é muito bonita. Também só conseguimos uma foto sua.

Piscinas naturais na praia de Pontas de Pedra

3. Catuama: é também uma vila goianense e em sua orla encontramos casas de veraneio muito bonitas, charmosas e em vários estilos, desde o rústico ao moderno. É uma praia igualmente bonita, porém é a única da qual não temos registro, ainda, rs.

4. Barra de Catuama: nessa praia encontramos o ponto mais oriental do litoral pernambucano, a Ponta do funil. É a penúltima praia do litoral goianense. Possui vista para a Ilha de Itamaracá e a Ilha de Itapessoca. É uma praia bem calma, límpida, com pedras e areia branca. Passa uma sensação de tranquilidade e dizem que possui um belíssimo pôr do sol. 



Ponta do funil, Barra de Catuama. Ao fundo e à esquerda, a ilha de Itamaracá; à direita, a ilha de Itapessoca.




















Fiquem agora com fotos do acesso às praias:

















É isso, minha gente. Gostaram? Continuem nos acompanhando e venham viajar conosco!

Rosiane e Thiago


Fotografias: Rosiane Albuquerque



quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Goiana/PE - Parte 1: a cidade

A primeira viagem que iremos relatar aqui não é a nossa primeira viagem com a Azurra!, contudo é a primeira que de cara planejamos desde o início objetivando postar aqui.
Esta semana fomos a Goiana, município pernambucano que faz fronteira com a Paraíba. Localizada a 51 km de João Pessoa, Goiana é uma cidade com ares de interior e arquitetura antiga, com um clima acolhedor e pacato. Para uma melhor apreciação dos leitores julgamos melhor dividir o relato da viagem em duas partes, uma sobre a cidade e outra sobre o litoral. Litoral que posteriormente vocês vão ter que concordar conosco que é um capítulo à parte! 
Mesmo com um considerável potencial histórico-cultural, consideramos que os monumentos precisam de mais zelo e que poderiam ficar abertos à visitação. Em plena quarta-feira encontramos fechados o Museu de Arte Sacra e algumas igrejas. E como parte do roteiro turístico não deixamos de ir ao internacionalmente famoso restaurante Buraco da Gia, que segundo o proprietário, Sr. Luiz da Gia, já foi citado duas vezes pelo The New York Times.
Tá curioso? Vamos continuar esse post intercalando as fotos que batemos e nossas experiências. Aos navegantes:

Azurra! e a sede da Saboeira
Primeira parada: Sede da Saboeira, um clube e escola de música que fica em frente a uma praça onde há o Cruzeiro de Nossa Senhora do Carmo. O cruzeiro dá para a Igreja da Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo, que tem um convento anexo à sua direita e à esquerda a Igreja de Santa Tereza D'ávila.


Igreja da Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo

Seguimos caminhando pelo centro de Goiana e fotografamos alguns casarões que nos chamaram a atenção:


Cine-Teatro Polytheama


Colégio (abandonado) da Sagrada Família
Casarão onde funcionava a Prefeitura
Biblioteca Municipal
Biblioteca Municipal
Biblioteca Municipal
Detalhe da fachada da Biblioteca Municipal
Biblioteca Municipal
Visitamos outras igrejas: Igreja Matriz, Igreja de Nossa Senhora do Rosário e Igreja de Nossa Senhora da Conceição:

Igreja Matriz
Igreja Matriz
Igreja de Nossa Senhora do Rosário
Casarão antigo na Rua do Rosário, centro de Goiana

Igreja de Nossa Senhora do Rosário
Igreja de Nossa Senhora do Rosário
Igreja de Nossa Senhora do Rosário
Igreja de Nossa Senhora da Conceição
Visitamos a Câmara Municipal à procura de informações turísticas e fomos gentilmente recebidos. O Sr. Edson, um dos funcionários, nos deu algumas orientações e fez um tour conosco pela Câmara, contando um pouco da história daqueles que por ali passaram. Ele ainda nos ofereceu aquela aguinha que salva qualquer viajante, rs.

Câmara Municipal
Câmara Municipal
Com o Sr. Edson
Câmara Municipal
Depois fomos em busca do Museu de Arte Sacra que atualmente está situado na sede do SESC Ler. Infelizmente ele não estava aberto à visitação e não pudemos conhecer seu acervo.

Prensa de casa de farinha do século XIX
Pedras Mó do Engenho Mata Norte, séc. XIX

Tacho para rapadura, Engenho Mata Norte, séc XIX
Carro de boi, Engenho Mata Norte, séc. XIX

Finalizamos nosso tour pela cidade com um almoço no Buraco da Gia. O restaurante foi fundado em 1956, tem uma arquitetura exótica e é bem enfeitado e colorido por dentro. Pelas paredes há inúmeros quadros com fotografias das pessoas que passaram pelo local, entre elas muitas celebridades, como Shaolin e Ney Matogrosso,  e políticos, como Juscelino Kubitschek e Lula . A atração principal do restaurante são os caranguejos adestrados pelo proprietário Sr. Luiz da Gia. Ele nos contou que os caranguejos que ele adestra possuem naturalmente um pinça maior que a outra e com a maior eles os ensina a segurar copos e cumbucas para servir os clientes. Infelizmente os caranguejos estavam de férias e não pudemos conhecê-los. Almoçamos uma peixada frita ao molho de camarão, uma especialidade da casa, que é acompanhada por uma porção de arroz, uma de pirão e verduras cozidas. O prato serve duas pessoas e pagamos R$ 65,00 por ele. Era a opção mais barata de guarnição. Em nossa avaliação o preço não correspondeu à expectativa de sabor. O prato é simples e não oferece nenhuma novidade. Acabamos pagando mais pela visita ao local do que pela apreciação da comida. 




Luciano do Valle e sua esposa, degustando uma cerveja servida pelo caranguejo



Um dos famosos caranguejos empalhado
Com o Sr. Luiz da Gia
Para finalizar fiquem agora com fotografias aleatórias do passeio! Até breve!

Divisa PB/PE
On the road
Vai um Guaiamum aí?
Casario na Av. Marechal Deodoro da Fonseca, a famosa Rua Direita
Cães "simpáticos" nos receberam de forma "calorosa"


Em frente ao Buraco da Gia


Fotografias: Rosiane Albuquerque.
Direção de fotografia: Thiago de Andrade e Rosiane Albuquerque.