No último final de semana fizemos uma viagem cheia de aventuras! Foram cerca de 600km, rodados em dois dias, na companhia dos amigos do Moto Clube Dragões do Asfalto. Saímos às 7h em direção à cidade de Taquaritinga do Norte, a 220 km de João Pessoa. Paramos para o café da manhã no distrito de Cajá, um famoso ponto de encontro de motociclistas da região. Lá encontramos vários companheiros que fariam o mesmo trajeto que nós, em decorrência da realização do 7º Taquaritinga Moto Fest (o motivo de nossa viagem), um dos mais bem avaliados eventos motociclísticos da região.
| E tome estrada, e tome caeme! |
Chegamos a Taquaritinga por volta das 11h. Conhecida como "Dália da Serra", Taquaritinga do Norte é uma cidade de clima agradável. Por estar situada no alto da Serra da Taquara, a cidade apresenta temperaturas abaixo dos 18ºC à noite. Sou particularmente suspeito ao falar dessa bela cidade, uma vez que a tenho visitado desde 2010 em diferentes ocasiões.
| Os companheiros Clíneo e Gil na entrada da Cidade |
O 7º Taquaritinga Moto Fest é um evento excelente. Desde a nossa chegada, o bom e velho Rock and Roll não parou de ser tocado por várias bandas locais. O evento reuniu mais de 400 motoclubes de vários estados, majoritariamente nordestinos. À noite a principal atração ficou por conta do grande Joãozinho e Banda Se7e (escrito assim mesmo). Os caras são muito bons! Abaixo algumas fotos do evento.
| Uma maravilhosa HD Electra Glide |
| Gil, Edgley, Clíneo e eu |
No dia seguinte fomos rapidamente visitar um dos pontos turísticos da cidade: a rampa do pepê, local utilizado para saltos de asa delta. Localizada a 1.200 m de altitude, possui um desnível de quase 600 m. Uma paisagem fascinante!
| Equipe animada |
| Visão de quem está prestes a saltar para o infinito. Abaixo, a cidade de Vertentes. |
| Fazedores de caeme |
Na saída da rampa, o primeiro susto. Calma, ninguém caiu da rampa ou coisa parecida. O terreno acidentado, associado a uma moto bem alta e um piloto um pouco desprovido de estatura física (meço míseros 1,65m) foi a combinação perfeita: ao manobrar pra sair, a Ténéré foi ao solo. Nada grave, segurei até onde deu e, para não me machucar (conheço relatos de pessoas que sofreram sérias lesões na coluna por tentarem segurar uma moto em vias de tombar), soltei a máquina já bem perto do chão e pulei. Com a ajuda dos companheiros, tratei de colocar a Azurra em sua posição habitual e checar seu estado. Tudo lindo e azul, sem um arranhão. Sacodida a poeira, simbora fazer caeme, porque moto é pra estar na estrada e não deitada no chão!
Abastecemos as motos e seguimos rumo a Caruaru, onde fomos assistir à etapa local da Fórmula Truck. Por vir de uma família de caminhoneiros (são muitos: pai, irmão, dois tios, dois primos, um meio-primo), sou apaixonado por caminhões (também por carros, barcos, máquinas em geral). Pra mim assistir a uma prova da Fórmula Truck foi uma experiência singular, esperada há anos. Senti-me como criança! Antes da corrida, o show. Aurélio Jr. e Dani, filhos do falecido criador da modalidade, Aurélio Batista Félix, botaram pra quebrar com manobras de tirar o fôlego, brincando com os caminhões como se fossem de brinquedo. Só estando lá pra ver.
| Marcas deixadas pelos caminhões após o show |
| Coisas que você (só) encontra quando viaja |
Assistimos à primeira bateria da prova e saímos em seguida, pois tínhamos muitos caemes pela frente. Na saída do autódromo veio o segundo susto. Ao passar por um "areião", dessa vez engarupado, a Mini-Trail (na verdade o piloto) não deu conta do Saara de 10m e fomos ao solo pela segunda vez no dia. Dessa vez a máquina caiu pro lado direito e ficou enterrada na areia. Pulei de cima e, preocupado, fui "salvar" minha gata (não a moto, a outra). Estávamos bem, novamente, apesar do susto. Mais uma vez com a ajuda dos companheiros levantamos a Azurra e fui conferir o estrago. E lá estava ela, linda e azul, como antes: nada acontecera. Com o mesmo espírito de antes, seguimos em frente, cumprindo nosso objetivo.
O relógio no painel já marcava mais de 15h da tarde quando visualizamos no horizonte as nuvens carregadas, um belo cenário. Beleza que estava em vias de mudar de figura, pois logo se via os raios que foram ficando cada vez mais frequentes e - pra nossa tensão - mais próximos. Demorou uns 40 minutos e começaram os primeiros pingos da chuva. Estávamos sem roupas apropriadas para a chuva (que se encontravam no bauleto) e começamos a nos molhar. Por mim tudo bem, já estou acostumado. Mas logo os pingos se tornaram mais fortes e estávamos no meio de um temporal, com os raios caindo quase sobre nossas cabeças. A chuva era muito forte, obrigando-me a reduzir drasticamente a velocidade por conta do grande volume de água na pista. Eu não podia ir ao chão uma terceira vez. Íamos na sequência, Clíneo com a XJ6, Gil com a Ninja 250, eu e Edgley, com a CB 500, fechando o comboio. Em decorrência da chuva, não nos víamos. Eu já estava decidido a parar, esperando somente a primeira oportunidade, que chegou alguns caemes à frente: um posto de combustíveis na entrada do município de Barra de Santana, já na Paraíba. Assim que parei, lá se foi Edgley, sem ouvir minhas buzinadas por conta da chuva. Agora estávamos sozinhos. E a chuva era muito forte, os raios, o vento... estávamos ensopados, vestimos as roupas de chuva pra amenizar o frio e seguir em frente. Passados uns 20 minutos, a chuva diminuiu e seguimos em frente, voltando a encontrar os companheiros somente na cidade de Queimadas, 30 km à frente. Recomposto o bando, fizemos um lanche e planejamos o restante do trajeto.
Já de volta, paramos novamente no distrito de Cajá para jantar. Passava das 18h e, varados de fome, comemos uma bela macaxeira com carne e um café quente. Saímos às 19h, com a BR 230 lisa e escura, iluminada somente pelo maravilhoso farol da Ténéré e a sensação mista de cansaço e a já incipiente saudade da estrada. Chegamos em casa às 20h, cansados e felizes depois dessa bela viagem.
Até a próxima! Let's ride!
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Fotografias: Rosiane Albuquerque